segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Arte de Ser Feliz-- Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser
feita de giz.Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de teraa esfarelada, e o jardim parecia morto, mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas,
para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração
ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.Outras vezes encontro nu vens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com os pardais. Borboletas brancas,duas
a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagensm de Lope de Vega .Às vezes, um galo canta. Às vezes um avião passa. Tu do está certo,no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

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